O setor de eletrodomésticos está em alta no Brasil. De acordo com estimativas da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros), até 2027, serão investidos R$ 5 bilhões em novos negócios no segmento, além da ampliação de indústrias já existentes. As vendas de itens de pequeno porte, como ‘air fryers’, cresceram 32% em 2024, totalizando cerca de 57 milhões de unidades comercializadas. Já a consultoria Kantar aponta que 44% dos lares do país já possuem o aparelho.
Para Michele Borba, professora do curso de Nutrição na UNIASSELVI, a incorporação de tecnologias na cozinha vai além da praticidade. “Os itens influenciam diretamente na forma como os alimentos são preparados, consumidos e higienizados. O impacto desses equipamentos na saúde, porém, não é automático e depende do entendimento do funcionamento e do uso adequado dentro do contexto alimentar”, diz.
Segundo o National University Health System (NUHS), de Singapura, alimentos preparados em air fryer podem apresentar redução expressiva no teor de gordura, em alguns casos superior a 70%, com implicações relevantes no manejo de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, dislipidemias e doenças cardiovasculares. “Em conjunto, esses equipamentos não determinam uma alimentação saudável, mas funcionam como aliados na construção de práticas mais seguras e equilibradas no dia a dia”, explica a professora.
Tecnologia como importante aliado no consumo de alimentos mais saudáveis
Borba ressalta, entretanto, que a air fryer não altera a qualidade nutricional de produtos ultraprocessados; apenas modifica a forma de preparo. “O melhor aproveitamento do equipamento ocorre com alimentos in natura ou minimamente processados, que respondem melhor ao método”.
Outros aparelhos também contribuem para a saúde quando usados corretamente. Purificadores de água reduzem partículas, microrganismos e alguns contaminantes químicos, diminuindo a exposição cumulativa e favorecendo o consumo hídrico adequado. Lava‑louças melhoram a segurança alimentar ao padronizar a higienização, usar temperaturas mais altas e reduzir o risco de contaminação cruzada.
“Em conjunto, esses equipamentos não determinam uma alimentação saudável, mas funcionam como aliados na construção de práticas mais seguras e equilibradas no dia a dia”, explica.
Automatização de tarefas domésticas no combate ao stress
Gabriela Inthurn, professora do curso de Psicologia na UNIASSELVI, afirma que automações domésticas, como robô aspirador e máquinas lava e seca, podem reduzir a carga mental e o stress. “A sobrecarga mental está ligada sobretudo à responsabilidade por tarefas cotidianas e à necessidade de lembrar delas. Isso gera acúmulo de responsabilidades que aumenta estresse e cansaço”, afirma.
Automatizar tarefas, como programar a cafeteira ou usar um robô aspirador, pode diminuir essas demandas ou ajudar na organização pessoal. Ela alerta, porém, que o eletrodoméstico só reduz o estresse se for realmente útil e integrado à rotina, e não mais uma tarefa a administrar.
Mais tempo livre: tecnologia como aliada
A psicóloga e professora da UNIASSELVI aponta que o tempo livre recuperado beneficia o equilíbrio emocional e o bem‑estar quando é destinado a atividades prazerosas ou importantes que antes eram negligenciadas pela sobrecarga doméstica. “Se a pessoa passa a praticar exercício, conviver mais com a família, dedicar-se a um hobby ou simplesmente descansar, isso indica uso benéfico do tempo liberado”.
Ela acrescenta. “Em um cotidiano com muitas tarefas e mais as tarefas da casa, ter algum tempo livre nem sempre é possível. Assim, se as automações ajudam a pessoa a ter mais tempo é possível que esse tempo seja utilizado para atividades de bem-estar que normalmente são negligenciadas em uma rotina sobrecarregada”, finaliza.








