Assédio no ambiente profissional gera aumento expressivo de ações trabalhistas

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Crescimento de pedidos de reparação na Justiça do Trabalho revela que trabalhadores estão mais dispostos a romper o silêncio diante de abusos no ambiente corporativo

O número de ações trabalhistas relacionadas a assédio no ambiente profissional cresceu de forma expressiva em 2025, refletindo uma preocupação cada vez maior dos trabalhadores com situações de abuso, constrangimento e violência psicológica dentro das empresas. Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) apontam que foram registrados no ano passado 142.828 novos processos por assédio moral, alta de 22% em relação a 2024. Nos casos de assédio sexual, o avanço foi ainda mais significativo. Em 2025, a Justiça do Trabalho recebeu 12.813 novas ações sobre esse tipo de violência, um crescimento de 40% em relação ao ano anterior.

O assédio moral ocorre quando um funcionário é constantemente submetido a situações de humilhação, cobranças desmedidas, perseguições ou comportamentos que prejudicam sua dignidade e bem-estar emocional no local de trabalho. Já o assédio sexual envolve condutas de natureza sexual sem consentimento, gerando constrangimento, desconforto ou violando a dignidade da vítima. No Brasil, essa conduta é classificada como crime e, frequentemente, acontece quando alguém utiliza sua posição hierárquica, como um cargo de liderança, para tentar obter vantagens ou favorecimentos de natureza sexual. 

O advogado trabalhista Lucas Aguiar explica que o aumento no número de ações trabalhistas relacionadas ao assédio pode estar ligado a uma maior conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos. “Percebemos maior interesse dos trabalhadores pelas questões do ambiente de trabalho. Com mais acesso à informação, o trabalhador se sente mais seguro para denunciar situações que antes eram silenciadas por medo ou insegurança profissional. De uma forma geral, esse  crescimento reforça a necessidade de as empresas adotarem políticas mais rígidas de prevenção ao assédio, canais seguros de denúncia e ações efetivas de proteção aos trabalhadores”, pontua.

Aguiar acredita que o receio de sofrer represálias ainda é um dos principais fatores que levam muitas vítimas de assédio a permanecerem em silêncio no ambiente de trabalho. “É muito importante denunciar esse tipo de situação para impedir a continuidade dos abusos. Essa comunicação deve ser feita aos setores responsáveis da empresa, como recursos humanos ou ouvidoria, além da chefia imediata do assediador. Quando não há resposta adequada por parte da organização, a vítima também pode buscar apoio em sindicatos, associações profissionais ou órgãos representativos da categoria”, orienta.

Segundo o advogado, além da denúncia interna, o trabalhador também pode recorrer à Justiça para buscar reparação por danos morais causados pelo assédio. “Quando o problema não é resolvido internamente, a orientação é procurar um advogado especialista e ingressar com ação judicial. Também é fundamental reunir provas, como e-mails, mensagens, gravações, documentos médicos e testemunhas que possam ajudar a comprovar os episódios e responsabilizar os envolvidos”, acrescenta.

Para o especialista, muitas empresas ainda não dão a devida atenção à prevenção de situações de assédio moral no ambiente de trabalho e não estão alinhadas com seus líderes e com suas políticas internas. “É primordial que empresas adotem medidas preventivas a esse tipo de situação, investindo mais na formação de seus líderes, em treinamentos e fazendo avaliações contínuas com seus gestores. Ações voltadas para um ambiente de trabalho mais saudável e respeitoso, além de evitar demandas trabalhistas na Justiça, melhoram a relação entre empresa e seus colaboradores e contribui para um ambiente mais equilibrado para todos”, completa.

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