Agronegócio: monitoramento via satélite torna-se requisito para exportações

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Especialista da UniCesumar explica regras que entrarão em vigor até o fim do ano. Comprovação digital de geolocalização e outras são alguns dos recursos que se tornarão vigentes

Com o total de US$ 169,2 bilhões de exportações, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), o agronegócio brasileiro encerrou o ano de 2025 com o resultado recorde. A União Europeia mantém-se na posição de segundo maior comprador de produtos nacionais, mas a manutenção desses volumes exigirá adequação imediata aos novos critérios do Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR).

“Exportadores de commodities como carne bovina e soja, são as cadeias que precisarão apresentar provas técnicas e georreferenciadas de carne e soja possuem múltiplos intermediários. Sem rastreabilidade robusta, o produto pode ser classificado como de risco, resultando em perda de acesso ou competitividade no mercado europeu”, afirma Diogo Bochnia Zuliani, professor do curso de Agronegócio da EAD UniCesumar.

A norma, que entrará em aplicação para grandes operadores a partir de 30 de dezembro, determina que empresas exportadoras garantam a origem livre de desmatamento de seus produtos, alterando o padrão de fiscalização da balança comercial agrícola. Até o momento, a conformidade de origem dependia de processos como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), notas fiscais e auditorias de documentação física, um modelo suscetível a inconsistências na identificação de fornecedores indiretos e na separação de cargas.

Transição do modelo de fiscalização

Agora, a validação muda para o formato de prova técnica digital. “Na prática, cruza-se a geolocalização da fazenda com imagens de satélite e mapas de cobertura florestal. A carga precisa manter um vínculo documental e digital ininterrupto com a origem, passando por armazéns, frigoríficos, transporte e portos”, explica Zuliani.

O Brasil apresenta base estrutural para atender a essa exigência em larga escala. Em maio de 2026, um mapeamento conduzido por universidades norte-americanas pela ferramenta Fields of the World, revelou que sistemas de inteligência artificial conseguiram identificar corretamente 97% das áreas de produção agrícola no Brasil utilizando dados espaciais, evidenciando a viabilidade técnica do monitoramento no país.

Proteção e segurança comercial

Para os grandes produtores, o mapeamento via coordenadas e as plataformas de rastreabilidade são etapas em andamento. Para os pequenos produtores, a integração exige suporte de cooperativas e assistência técnica para organização documental. No entanto, o objetivo central do rastreamento de dados é comercial e de defesa. “O papel mais estratégico da tecnologia é proteger quem produz corretamente. Ela separa o produtor regular daquele que contamina a cadeia com produtos de origem duvidosa”, pontua o especialista da UniCesumar.

Ao centralizar o cruzamento de informações públicas e privadas, o Brasil posiciona a sustentabilidade como ativo comercial quantificável. “A garantia de origem transforma sustentabilidade em evidência verificável. Se o país utilizar a integração de dados e o monitoramento ambiental como estratégia nacional, demonstrará que produz em escala com segurança jurídica e responsabilidade ambiental. Essa conformidade deixa de ser apenas uma obrigação regulatória europeia e passa a atuar como uma vantagem competitiva internacional”, conclui Zuliani.

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