A classificação do Brasil para as oitavas de final mantém a Copa do Mundo no centro das atenções dos torcedores. Mas, enquanto a Seleção segue na disputa pelo título, outra competição acontece fora das quatro linhas: a das marcas, plataformas e criadores de conteúdo que disputam a atenção do público em tempo real.
A transformação acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. Segundo o estudo State of Social 2025, da Deloitte Digital, 61% dos consumidores descobriram uma nova marca pelas redes sociais nos últimos 12 meses, enquanto 83% afirmam considerar criadores de conteúdo uma fonte confiável de informação, reforçando o papel da influência digital na construção de relevância para empresas e campanhas.
Na avaliação de Will Costa, CMO da WC&A Partners e especialista em marketing de influência, a Copa de 2026 consolida esse movimento ao mostrar que o valor de um grande evento esportivo já não está concentrado apenas na transmissão das partidas.
“Hoje, as marcas disputam algo ainda mais valioso do que audiência: atenção. Não basta aparecer durante o jogo; é preciso fazer parte da conversa que acontece antes, durante e depois dele. É nesse ambiente que influência, conteúdo e experiência passam a gerar conexão real com o público.”
Essa mudança fica evidente na multiplicação de formatos que extrapolam os 90 minutos de jogo. Transmissões alternativas, creators especializados, watch parties, ativações de marca, bastidores, lifestyle dos atletas e conteúdos produzidos em tempo real passaram a ampliar a experiência da Copa e criar novas oportunidades de relacionamento entre empresas e consumidores.
O fenômeno também tem chamado a atenção da imprensa internacional. Em reportagem recente, o The Guardian destacou que a Copa de 2026 vem consolidando um novo modelo de consumo do torneio, impulsionado por criadores de conteúdo, transmissões digitais e experiências que aproximam o público do evento muito além das partidas.
Para Costa, isso representa uma mudança estrutural na comunicação das marcas. “Uma boa ativação já não termina quando o evento acaba. Ela precisa gerar conteúdo, conversa e repercussão. Quando uma experiência faz as pessoas quererem compartilhar espontaneamente o que viveram, ela deixa de ser apenas uma ação de marketing e passa a construir valor para a marca.”
Na prática, isso significa que o futebol deixou de ser um território exclusivo das transmissões esportivas. Creators de entretenimento, comportamento, moda, humor e lifestyle passaram a dialogar com públicos que muitas vezes não acompanham a competição pela análise técnica, mas pela experiência cultural que ela proporciona.
“O esporte continua sendo o protagonista, mas a atenção do público hoje é construída por diferentes narrativas. As marcas que entendem essa dinâmica deixam de interromper a conversa e passam a fazer parte dela”, afirma.








