Por que a proteína deixou de ser assunto de academia e ganhou espaço na vida real

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Especialista explica como o nutriente passou a ocupar um papel mais amplo na saúde, indo do envelhecimento saudável ao controle do peso

Em um momento em que a busca por proteínas deixou de ser exclusividade de atletas e frequentadores de academia, o leite volta a ganhar protagonismo como um alimento naturalmente rico nesse nutriente e de fácil inclusão na rotina dos brasileiros. Além de fornecer proteínas de alta qualidade e aminoácidos essenciais, ele reúne outros nutrientes, tais como cálcio, vitamina D e vitaminas do complexo B em uma única porção, características que o tornam um aliado para diferentes fases da vida.

Durante muito tempo, falar sobre proteína era falar sobre hipertrofia e desempenho esportivo. O nutriente costumava estar associado quase exclusivamente ao ganho de massa muscular e a dietas voltadas para performance esportiva. Hoje, no entanto, essa conversa evoluiu.

Segundo a nutricionista Aline David, mestre e doutora pela USP, coordenadora de pós-graduação na Escola Nutrição Aplicada e com atuação em nutrição clínica e esportiva desde 2009, o aumento do interesse pela proteína acompanha uma transformação mais ampla no comportamento alimentar.

“Mais do que estética, a proteína passou a ser relacionada à saúde. O consumo deste nutriente é indispensável para as funções do organismo e pode auxiliar no processo de emagrecimento, envelhecimento saudável, manutenção da massa muscular, saciedade e equilíbrio nutricional, acompanhando uma mudança na forma como as pessoas enxergam o próprio corpo e o papel da alimentação no dia a dia.”, explica.

Ao mesmo tempo em que o interesse cresceu, aumentou também a oferta de produtos e o consumo de conteúdos ligados ao universo “high protein”. Mas a especialista alerta que o movimento precisa ser interpretado com equilíbrio.

“Mais do que consumir uma maior quantidade de proteína por dia, precisamos ficar atentos à qualidade da proteína que estamos consumindo. Isso está relacionado a  digestibilidade e perfil de aminoácidos que essas fontes proteicas nos oferecem. Um exemplo é o papel de aminoácidos essenciais, como a leucina, reconhecida por ser um gatilho relacionado à síntese proteica muscular”, afirma.

Neste contexto, o leite, alimento de alta qualidade nutricional, chama atenção por um aspecto que muitas vezes passa despercebido pelo consumidor: suas proteínas já estão naturalmente presentes em sua composição e, inclusive, dão origem a suplementos nutricionais que ganharam protagonismo nos últimos anos, como o whey protein.

“Vale lembrar que o whey protein é justamente a proteína do soro do leite. Ou seja, as proteínas de alta qualidade não estão restritas aos suplementos, mas também fazem parte de alimentos tradicionais e amplamente consumidos pelos brasileiros”, explica a especialista.

Outro ponto pouco percebido, mas de grande relevância nutricional, é a contribuição proteica do leite no consumo habitual. Um copo de leite (200ml) fornece cerca de 6,4g de proteínas e 244mg de cálcio. Ou seja, a ingestão de 500ml de leite ao longo do dia pode oferecer aproximadamente 15g de proteínas lácteas de alta qualidade. Esse aporte proteico é comparável ao de produtos frequentemente buscados como suplementação, porém por meio de um alimento amplamente disponível.

Para a especialista, esse dado ajuda a ampliar a conversa sobre proteína para além de suplementos e produtos específicos, reforçando o papel dos alimentos in natura ou minimamente processados, como é o caso do leite longa vida (UHT), na construção de hábitos alimentares equilibrados.

Além do leite se destacar pelo seu perfil nutricional, ele também ganha relevância pelo seu ótimo custo-benefício, versatilidade e praticidade de consumo em diferentes momentos do dia. O leite longa vida, por exemplo, passa por um processo de ultrapasteurização (UHT) que garante sua segurança microbiológica e permite uma vida útil prolongada antes da abertura, sem necessidade de refrigeração. Essas características favorecem o acesso e a conveniência para o consumidor, contribuindo para que esteja presente na maioria dos lares brasileiros.

“Quando falamos em alimentação da vida real, a adesão importa tanto quanto a recomendação. Muitas vezes, o melhor plano alimentar não é o mais complexo, mas aquele que a pessoa consegue manter no dia a dia. Por isso, alimentos versáteis, com boa qualidade nutricional e que já fazem parte da rotina costumam ser grandes aliados para a construção de hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis ao longo do tempo.”, finaliza David.

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