Dados divulgados pela SSP sobre junho indicam redução; forças de segurança ampliam ações de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres
Os casos de feminicídio registrados no estado de São Paulo caíram em junho deste ano. Foram 17 ocorrências no mês, quatro a menos do que as 21 no mesmo período de 2025. O resultado representa o segundo recuo consecutivo do indicador, após a queda observada em maio, interrompendo a sequência de altas registrada no início do ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado.
No acumulado do primeiro semestre, foram registrados 141 casos no estado, ante 128 no mesmo período do ano passado. Apesar do aumento, os dados mais recentes indicam uma desaceleração do indicador, que permaneceu estável em abril e apresentou redução nos dois meses seguintes na comparação com 2025.
Na capital paulista, foram três feminicídios em junho deste ano. Um a mais que no mesmo mês do ano anterior. No semestre, o indicador acumula queda, passando de 31 casos, em 2025, para 24 ocorrências registradas entre janeiro e junho deste ano.
Na Região Metropolitana de São Paulo, o número caiu de 27 para 21 no semestre. Em junho, a redução foi ainda mais expressiva, de oito para três ocorrências.
Nas cidades do interior paulista, foram registrados 96 casos no semestre, ante 70 no mesmo período do ano passado, enquanto junho manteve o mesmo número de ocorrências de 2025, com 11 casos.
As autoridades reforçam que a denúncia continua sendo um dos principais instrumentos para prevenir casos de violência contra a mulher.
“O enfrentamento à violência contra a mulher exige investigação qualificada, acolhimento humanizado e atuação integrada com toda a rede de proteção. Cada denúncia recebida é uma oportunidade de interromper o ciclo da violência e evitar que situações de risco evoluam para crimes mais graves. Por isso, seguimos ampliando os canais de atendimento e incentivando as vítimas a procurarem ajuda o quanto antes”, alertou a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher no estado, delegada Cristiane Braga.
Familiares, vizinhos e testemunhas também podem comunicar episódios de violência, contribuindo para interromper o ciclo de agressões antes que os casos evoluam para crimes mais graves.
“Nosso trabalho é fortalecer a prevenção e garantir que a mulher tenha uma resposta rápida sempre que precisar da Polícia Militar. Com ferramentas como a Cabine Lilás, o aplicativo SP Mulher Segura e a Patrulha SP Mulher Segura, conseguimos ampliar o acompanhamento das vítimas e atuar de forma mais próxima para reduzir situações de risco e preservar vidas”, afirmou a comandante-geral da PM, coronel Glauce Cavalli.
Enfrentamento à violência
O enfrentamento à violência contra a mulher tem mobilizado diferentes frentes de atuação das forças de segurança em São Paulo.
O estado ampliou a rede de atendimento especializado. Atualmente, são 144 Delegacias de Defesa da Mulher, sendo 19 com funcionamento ininterrupto. Além disso, há espaços específicos para atendimento e registro de ocorrências, fortalecendo a escuta e o atendimento à vítima. São 220 Salas DDM Online em diferentes municípios paulistas, possibilitando a elaboração do boletim de ocorrência com uma equipe especializada.
O Centro de Operações da Polícia Militar conta com atendimento de policiais femininas treinadas para acolher e orientar as vítimas por meio do 190.
Neste ano, o Governo de São Paulo também anunciou a criação da Patrulha SP Mulher Segura, especializada no acompanhamento preventivo de casos de violência doméstica e a implantação do Espaço Lilás em unidades da Polícia Militar para acolhimento e orientação às vítimas. Também foram implantadas melhorias no aplicativo SP Mulher Segura, que oferece opção de registro da ocorrência, acionamento do botão do pânico e cadastro de pessoas de confiança para ampliar a rede de apoio.
São Paulo ainda conta também com o tornozelamento de agressores de mulheres, medida para ampliar o monitoramento e proteger a vítima de violência doméstica ou familiar. Desde a implantação, em setembro de 2023, mais de 900 pessoas foram monitoradas no estado por crimes relacionados a violência doméstica. Atualmente, 243 agressores estão em monitoramento, com 141 prisões por violações.








