Pesquisa revela atual perfil universitário: adultos que conciliam estudo, trabalho e família

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Pesquisa da EAD UniCesumar mostra que 55% dos estudantes ativos têm entre 30 e 49 anos; História de Marinês Botim é exemplo do atual perfil e é marcada por sua determinação enquanto mãe atípica

A imagem do universitário como um jovem recém-saído do Ensino Médio já não representa, sozinha, a realidade do ensino superior. Dados da Pesquisa de Empregabilidade 2025 da Graduação EAD UniCesumar, última edição disponível do levantamento, mostram a presença predominante de adultos que conciliam os estudos com trabalho, responsabilidades financeiras e cuidados familiares.

Entre os alunos ativos que participaram da pesquisa, 29% têm entre 30 e 39 anos e 26% estão na faixa dos 40 aos 49 anos. Somados, esses grupos representam 55% dos estudantes. Entre os egressos, 53% também estão nessa faixa etária: 25% têm entre 30 e 39 anos e 28%, entre 40 e 49 anos.

Para Gustavo Pisano, gerente pedagógico da EAD UniCesumar, a mudança está relacionada à ampliação do acesso ao ensino superior, à busca por qualificação profissional e à flexibilidade proporcionada pela educação a distância. “Hoje, é comum encontrar estudantes com mais de 30 anos, que trabalham em tempo integral, possuem filhos e retornam aos estudos em busca de desenvolvimento profissional, progressão na carreira ou realização pessoal. O ensino superior deixou de ser uma etapa exclusiva da juventude e passou a fazer parte de diferentes fases da vida”, afirma.

A transformação também está associada à consolidação da educação ao longo da vida, conceito conhecido como lifelong learning. Em um mercado marcado por mudanças tecnológicas e pelo surgimento de novas ocupações, voltar a estudar passa a ser uma estratégia para atualizar conhecimentos, desenvolver competências e acompanhar novas exigências profissionais.

Trabalho, família e universidade fazem parte da mesma rotina

O levantamento reforça que estudar é apenas uma das diferentes responsabilidades assumidas por esse público. Entre os alunos ativos, 75% estão trabalhando. O índice chega a 80% entre aqueles que já concluíram a graduação.

A realidade familiar também ajuda a dimensionar a rotina desses estudantes, que muitas das vezes, sustentam seus filhos. Entre os alunos ativos, 24% informaram ter um dependente em casa, 25% possuem dois, 20% têm três e 16% vivem com quatro ou mais dependentes. Isso significa que 85% dos participantes ativos convivem com ao menos um dependente.

Além do trabalho e dos estudos, parte expressiva desse público participa diretamente da manutenção da família. Aproximadamente 66% dos alunos ativos contribuem para as despesas familiares ou são os únicos responsáveis pelo orçamento da casa.

Segundo Pisano, esse cenário exige que as instituições considerem a realidade do estudante trabalhador ao organizar a experiência acadêmica. “É necessário oferecer modelos mais flexíveis, metodologias ativas, tecnologias educacionais e apoio acadêmico contínuo. Os currículos também precisam estar alinhados às transformações do mercado e permitir que o estudante perceba valor imediato na formação, aplicando os conhecimentos em sua própria rotina profissional”, explica.

Portanto, o desafio, segundo o gerente, não se resume a garantir o ingresso no ensino superior. “É necessário criar condições para que o aluno consiga permanecer no curso e desenvolver competências mesmo diante de uma rotina dividida entre emprego, família e vida pessoal”.

Formação como caminho para novas oportunidades

Com base na pesquisa, os objetivos profissionais indicados pelos participantes ajudam a explicar porque tantos adultos decidem iniciar ou retomar uma graduação. Para os próximos 12 meses, 15% dos alunos ativos pretendem conquistar um emprego efetivo, enquanto 14% buscam um aumento salarial ou promoção. Outros 12% desejam mudar de emprego ou cargo, e 10% planejam ingressar em uma pós-graduação, mestrado ou doutorado. A questão permitia a escolha de mais de uma alternativa.

Na avaliação do gerente pedagógico, a formação superior continua sendo uma ferramenta de mobilidade profissional porque amplia o acesso a diferentes funções e fortalece a capacidade de adaptação. “A graduação deixou de representar apenas um diploma e passou a ser um processo de desenvolvimento de competências técnicas, digitais e socioemocionais valorizadas pelas organizações. Além de preparar para novas funções, a formação fortalece a inovação, a aprendizagem contínua e a capacidade de acompanhar as mudanças”, destaca Pisano.

Uma história que representa esse novo perfil

A trajetória de Marinês Botim traduz parte das mudanças identificadas pela pesquisa. Ela ingressou no ensino superior aos 45 anos, enquanto conciliava a formação com os cuidados familiares e os desafios da maternidade atípica. Mãe de dois filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Marinês encontrou nas próprias experiências uma motivação para estudar Psicologia e, posteriormente, aprofundar os conhecimentos na pós-graduação em Neuropsicologia da UniCesumar no polo de Paulínia (SP).

“Quando ingressei na universidade aos 45 anos, foi desafiador. Minha realidade é a de muitas famílias, sem rede de apoio e sem suporte. Precisei acreditar na força de uma mulher simples, que estava buscando o melhor para sua família”, relata Marinês, que atualmente atua como psicóloga clínica. Para ela, a formação permitiu transformar vivências pessoais em conhecimento capaz de apoiar outras pessoas e contribuir para uma sociedade mais inclusiva.

A relação da família com a educação superior também alcançou o filho Marcos Antônio Botim, diagnosticado com TEA ainda na infância e atualmente aluno do curso de Design de Produto da EAD UniCesumar, no mesmo polo em que estuda a mãe. Autodidata em música e desenho, ele utiliza programas como Blender, Krita e SketchUp (softwares de design digital) e encontrou na graduação uma possibilidade de desenvolver habilidades que já faziam parte de sua trajetória.

Para ingressar e permanecer no curso, Marcos recebe o acompanhamento do projeto UNIR, da UniCesumar, setor responsável pelo acolhimento e pela orientação de adaptações destinadas a estudantes com deficiência e neurodivergências. A iniciativa atua na eliminação de barreiras atitudinais e no acolhimento dos alunos que necessitam de recursos de acessibilidade. Criado em 2012, o projeto já atendeu 967 estudantes.

No caso de Botim, o suporte envolve a orientação ao polo e aos professores para a realização de provas em sala individual, concessão de tempo adicional e adaptação dos enunciados às suas necessidades. Para a mãe, cada etapa vencida reforça uma convicção que também orientou sua própria volta aos estudos: “Cada pessoa tem seu tempo e seu processo. Os ideais não morrem, apenas adormecem no cansaço e ressurgem quando estamos prontos para realizá-los”, finaliza.

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