A nova corrida das montadoras acontece na inteligência artificial

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Nos últimos meses, a própria Volkswagen anunciou o uso da tecnologia em áreas que vão desde assistentes virtuais embarcados até sistemas avançados de direção automatizada. Já a BMW anunciou o início de projetos para utilização de robôs humanoides apoiados por inteligência artificial em suas linhas de produção na Europa, e a Stellantis (dona de marcas como Jeep, Fiat, Peugeot e Citroën) firmou uma parceria estratégica de cinco anos com a Microsoft para desenvolver mais de uma centena de iniciativas baseadas em inteligência artificial.

No Brasil, a inteligência artificial já começa a ser vista menos como uma ferramenta e mais como uma camada essencial da infraestrutura que sustenta os negócios.

Uma pesquisa conduzida pela Meta em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) mostrou que 82,5% dos CEOs e executivos entrevistados classificam a IA como relevante para seus negócios. Desse total, 34,2% a consideram importante, 30% muito importante e 18,3% extremamente importante.

A “Pesquisa Inteligência Artificial Aplicada à Estratégia”, realizada com mais de 100 líderes de empresas brasileiras e multinacionais distribuídas em 20 setores da economia, revela, porém, um paradoxo. Embora a maioria das organizações reconheça a importância estratégica da tecnologia, 43,3% destinam menos de 1% de seus orçamentos para iniciativas de inteligência artificial. Além disso, 42,7% apontam a falta de conhecimento especializado como principal barreira para avançar na adoção da tecnologia. Integração com sistemas legados, custos de implementação, segurança e conformidade também aparecem entre os principais desafios.

“Esse cenário ajuda a explicar uma característica cada vez mais presente nas empresas brasileiras: muitas reconhecem o valor da inteligência artificial, mas ainda não possuem estrutura, equipe ou orçamento para desenvolver soluções proprietárias. A adoção, portanto, tende a acontecer por meio de plataformas já prontas, capazes de conectar IA aos processos de negócio sem exigir grandes estruturas internas de desenvolvimento”, diz Miranda.

Segundo o especialista da IRRAH, em vez de investir anos no desenvolvimento de modelos próprios ou na formação de equipes altamente especializadas, muitas empresas têm optado por soluções já disponíveis no mercado, capazes de acelerar a adoção da inteligência artificial e reduzir as barreiras de entrada. A estratégia permite transformar rapidamente recursos antes restritos às grandes corporações em ferramentas acessíveis para operações de diferentes portes e segmentos.

Ele cita como exemplo o GPT Maker, desenvolvido pela empresa,uma plataforma que permite criar agentes de inteligência artificial treinados com informações específicas de cada negócio. Na prática, as empresas podem alimentar o sistema com documentos, manuais, políticas internas, catálogos de produtos, perguntas frequentes e bases de conhecimento próprias para que a IA responda de forma contextualizada e alinhada à realidade da organização. A solução também se integra a canais como WhatsApp, Instagram, TikTok, sites, CRMs e APIs corporativas, permitindo que os agentes atuem em diferentes etapas da jornada do cliente, desde o atendimento inicial até o suporte e acompanhamento pós-venda.

“Em vez de aplicações isoladas, como chatbots básicos ou automações restritas a tarefas repetitivas, a inteligência artificial passa a ser incorporada diretamente ao núcleo das operações. Isso significa atuar sobre fluxos inteiros, cruzar dados de diferentes áreas e influenciar decisões com base em contexto, histórico e comportamento, sem rupturas na jornada”, afirma o executivo.

O impacto dessa transição é visível, sobretudo, nas áreas de atendimento e relacionamento com o cliente, tradicionalmente marcadas por processos fragmentados, múltiplos canais e alta dependência de interações humanas.

“O GPT Maker, por exemplo, possibilita a criação de agentes de IA personalizados conforme as necessidades de cada negócio. Eles são capazes de aprender com as interações, adaptar a comunicação e tomar decisões alinhadas aos objetivos da empresa”, destaca o CIO. “Nesse estágio de maturidade, compreender a IA apenas como uma ferramenta é insuficiente. Agora, será preciso enxergá-la como um elemento fundamental da arquitetura digital, capaz de reconfigurar não apenas processos, mas a própria lógica de funcionamento do mercado”, conclui o executivo. 

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