Depois de um casamento longo ou de relacionamentos frustrados, muitos passam a preferir vínculos mais leves e acordos transparentes
Após uma união longa ou experiências que não terminaram como esperado, a ideia de começar tudo novamente, inclusive passar pelo altar, parece estar perdendo espaço entre homens ricos. Um levantamento do MeuPatrocínio, maior plataforma de relacionamentos de alto padrão da América Latina, mostra que 46,7% dos 3.698 homens entrevistados afirmam não ter o casamento como objetivo em uma nova relação.
Para esses homens, o relacionamento pode envolver companhia, intimidade, viagens, experiências e até acordos financeiros, sem necessariamente evoluir para casamento ou para o modelo tradicional de construção de uma vida a dois. Na prática, 36,2% dos entrevistados até pensam em ter um relacionamento sério, mas que não seja monogâmico. Outros 10,5% afirmam não querer compromisso sério.
Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, afirma que as pessoas estão cada vez mais abertas a relacionamentos leves e flexíveis. “Vale lembrar que relacionamento Sugar e não monogamia não são a mesma coisa. Como qualquer outro relacionamento, o Sugar envolve duas pessoas que, alinhadas com suas expectativas, decidem a melhor forma de tocar a relação”, destaca.
Dados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE mostram que, pela primeira vez, as uniões consensuais passaram a ser a forma mais comum de união no Brasil: representavam 38,9% das uniões conjugais em 2022, contra 37,9% dos casamentos civis e religiosos. O percentual de pessoas que já haviam vivido uma união conjugal, mas não estavam em uma no momento do Censo, também aumentou de 11,9% em 2000 para 18,6% em 2022.
A monogamia ainda é o ideal?
Uma pesquisa publicada em 2020 pelo YouGov mostra que 56% dos entrevistados disseram que a monogamia completa era o seu ideal de relacionamento, uma queda de 5% em relação à pesquisa anterior, feita em 2016. “A relação não monogâmica é uma tendência que veio para ficar. Isso significa ter mais consciência sobre o desejo da outra pessoa para além de nós, para além da relação amorosa e do que essa pessoa possa sentir afetivamente e sexualmente por cada um de nós”, explica a psicóloga e sexóloga Ana Canosa.
Depois da separação, a busca por leveza
Segundo o Colégio Notarial do Brasil, 2021 foi marcado pela realização de 80.573 divórcios em cartório, número recorde da série histórica iniciada em 2007 e 4% maior em relação a 2020, quando foram registrados 77.509.
Para Bittencourt, depois de enfrentarem as dores de cabeça da separação, essas pessoas passam a buscar praticidade. “Eles evitam complicações, preferindo a simplicidade e a leveza que são facilmente encontradas nos relacionamentos Sugar. Isso porque é um estilo de vida sem cobranças, oferecendo uma convivência mais descontraída entre um Sugar Daddy e uma Sugar Baby”, afirma.
Neste tipo de relacionamento, em vez de presumir que um vínculo precisa seguir uma sequência, os casais estabelecem o que procuram e o que estão dispostos a oferecer. O resultado são relações que podem ser duradouras e significativas, mas que não necessariamente têm o casamento como destino.








