Programa SP Mobile já recuperou mais de 38 mil aparelhos com queixa criminal e restituiu 11,4 mil aos proprietários
A Polícia Civil realizou, nesta terça-feira (29), mais uma etapa de devolução de celulares roubados ou furtados recuperados pelo Programa SP Mobile em todo o estado de São Paulo. Ao todo, 268 aparelhos foram restituídos aos proprietários. Na capital, a entrega ocorreu na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), na região central.
Entre junho de 2025 e 23 de setembro deste ano, o programa recuperou 38.028 celulares e devolveu 11.445 às vítimas.
“Quando a gente entrega um celular de volta, não está devolvendo apenas um aparelho. Estamos devolvendo algo que faz parte da vida daquela pessoa, que muitas vezes ainda estava pagando por ele e que guarda fotos, contatos, lembranças e informações importantes. É um momento que mostra, de forma muito concreta, para quem foi vítima de um crime, que o trabalho das polícias continua até que o bem possa voltar para as mãos do seu dono”, disse o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
”Não tinha condições de comprar outro”
A doméstica Josefa Cipriano da Silva teve o celular furtado no ano passado, quando seguia para o trabalho. Sem condições de comprar imediatamente um novo telefone, contou com a ajuda da patroa, que adquiriu outro aparelho para que ela pudesse pagar posteriormente.
“Não tinha condições de comprar outro tão rápido. Não esperava que fosse possível recuperar, mas ainda bem que minha filha me ajudou a registrar o boletim de ocorrência. Nem acreditei quando falaram que tinham recuperado”, contou.
O médico Daniel Leal também não esperava reaver o celular roubado em 2022. O aparelho foi levado de dentro do carro enquanto ele estava parado no trânsito. Na época, Daniel havia chegado havia pouco tempo a São Paulo e dependia do telefone até mesmo para se locomover pela cidade. Após o crime, precisou agir rapidamente ao perceber movimentações em sua conta bancária e bloquear os acessos.
Anos depois, quando recebeu a mensagem informando que o telefone havia sido localizado, desconfiou que poderia se tratar de um novo golpe. “Eu nem esperava que fosse recuperar, até achei que era golpe, mas agora ele está aqui na minha mão”, disse.
Para a estudante Nathalia Benvindo, a expectativa também era de que o celular não fosse mais encontrado. O aparelho desapareceu durante uma madrugada, no mês passado, e ela chegou a refazer o caminho que havia percorrido na tentativa de localizá-lo. Com a ajuda da família, registrou o boletim de ocorrência na Delegacia Eletrônica. Dias depois, recebeu a notícia de que o telefone havia sido recuperado.
Nathalia destacou a importância de registrar a ocorrência e manter informações essenciais do aparelho, principalmente o Imei. Ela contou que, inicialmente, não pretendia fazer o boletim de ocorrência, mas mudou de ideia após a insistência do tio. “Foi a única coisa que me fez conseguir ter esse celular de volta”, completou.
O registro da ocorrência, além de permitir a identificação do proprietário, fornece informações que ajudam a Polícia Civil a mapear locais onde aparelhos roubados ou furtados são revendidos e a identificar pessoas envolvidas nesse comércio ilegal.
Como funciona a recuperação
O trabalho começa com o cruzamento das informações dos boletins de ocorrência com dados das linhas de celular em uso. Quando a Polícia Civil identifica que um telefone roubado ou furtado está sendo utilizado por outra pessoa, ela é chamada para explicar como adquiriu o aparelho e apresentá-lo em uma unidade policial.
Caso fique comprovado que a pessoa desconhecia a origem criminosa do telefone, o aparelho é recolhido para ser restituído ao proprietário. Se houver indícios de que ela sabia da procedência ilegal, o caso passa a ser investigado.
Quando a notificação não é atendida ou há indícios de aquisição consciente de produto de crime, a Polícia Civil realiza buscas e outras diligências para localizar os aparelhos e responsabilizar os envolvidos. Após a recuperação, as unidades policiais identificam os proprietários e organizam as devoluções.
Para o delegado Rodolfo Latif, coordenador do SP Mobile, localizar o aparelho é apenas uma das etapas do trabalho. “A recuperação do celular é uma etapa importante, mas nosso trabalho não termina quando o aparelho é encontrado. A gente precisa identificar a vítima, confirmar a origem daquele telefone e garantir que ele volte para o verdadeiro dono. É esse cuidado, do início da investigação até a restituição, que dá sentido ao trabalho do SP Mobile”, afirmou.
O SP Mobile integra a atuação da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Polícia Técnico-Científica, sob coordenação da Secretaria da Segurança Pública.








