Além dos presentes: como fortalecer o vínculo afetivo com os pequenos no Dia das Crianças

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Psicólogo parental orienta pais e responsáveis a aproveitarem a data para criar memórias afetivas e fortalecer a conexão com os filhos por meio de atitudes simples, mas poderosas

Com a proximidade do Dia das Crianças, celebrado na próxima segunda-feira, brinquedos, viagens e presentes costumam ocupar o centro das atenções das famílias. Vale lembrar, porém, que a data também pode ser uma oportunidade para investir em algo que vai acompanhar os pequenos por toda a vida: o vínculo afetivo com pais e responsáveis.

Mais do que grandes programações ou demonstrações materiais de carinho, a construção de uma relação segura e acolhedora acontece nas interações cotidianas. Segundo o psicólogo parental Filipe Colombini, especialista no relacionamento entre pais e filhos, a qualidade das interações familiares desempenha um papel importante no desenvolvimento emocional infantil.

“O vínculo afetivo não se constrói apenas em ocasiões especiais, mas principalmente na maneira como os adultos se relacionam com a criança todos os dias. É na disponibilidade para ouvir, acolher e demonstrar interesse pelo universo infantil que o pequeno encontra oportunidades para desenvolver confiança e segurança emocional”, explica Colombini.

Para o especialista, o Dia das Crianças pode servir como um convite para que as famílias repensem a forma como compartilham o tempo e a atenção com os filhos, sem transformar a data em uma obrigação de oferecer experiências extraordinárias.

“Não é preciso comprar o brinquedo mais caro ou organizar um passeio que demande muitos custos para demonstrar amor. Muitas vezes, brincar junto, ouvir uma história contada pela criança ou simplesmente estar presente, sem distrações, pode ter um significado enorme. O que importa é a criança se sentir vista, ouvida e valorizada”, diz ele.

Veja, a seguir, quatro maneiras de fortalecer o vínculo afetivo com as crianças:

1. Reserve um tempo de atenção exclusiva. Na rotina corrida, entre compromissos profissionais, tarefas domésticas e telas, nem sempre é fácil dedicar atenção integral aos filhos. Uma estratégia simples é reservar diariamente alguns minutos para uma atividade escolhida pela própria criança, como desenhar, brincar, ler ou conversar, sem interrupções de celulares e outras distrações.

“Quando o adulto se permite estar verdadeiramente presente, transmite à criança a mensagem de que ela é importante. Não se trata de passar o dia inteiro junto, mas de oferecer momentos de qualidade”, orienta o psicólogo.

2. Demonstre interesse pelo mundo da criança. Perguntas sobre o que ela gosta, o que aprendeu, do que brincou ou como se sentiu durante o dia ajudam a abrir espaço para o diálogo. Mais do que perguntar por obrigação, é importante ouvir as respostas com curiosidade e evitar julgamentos imediatos. “Para fortalecer a conexão, precisamos conhecer a criança que temos diante de nós, e não apenas esperar que ela corresponda às nossas expectativas. Quando demonstramos interesse por seus pensamentos, sentimentos e descobertas, mostramos que sua voz tem valor dentro da família”, destaca Colombini.

3. Acolha as emoções, inclusive as difíceis. Frustração, tristeza, medo e raiva também fazem parte da infância. Nessas situações, o adulto pode ajudar a criança a reconhecer o que sente, nomear seus sentimentos e encontrar maneiras adequadas de expressá-las. “Acolher uma emoção não significa concordar com qualquer comportamento. É possível estabelecer limites com firmeza e, ao mesmo tempo, demonstrar compreensão pelo que a criança está sentindo. Essa combinação ajuda a construir uma relação em que ela se sente segura para procurar os adultos quando enfrenta dificuldades”, explica o especialista.

4. Transforme atividades simples em experiências compartilhadas. Preparar uma receita juntos, passear em uma praça, inventar uma brincadeira, montar um quebra-cabeça ou contar histórias antes de dormir são exemplos de atividades que favorecem a aproximação entre adultos e crianças. No Dia das Crianças, a família pode escolher uma experiência simples para realizar em conjunto, respeitando a idade, os interesses e o ritmo dos pequenos. “Memórias afetivas não dependem de grandes acontecimentos. Elas também nascem dos pequenos rituais familiares, das conversas espontâneas e da sensação de pertencimento”, diz Colombini. “Quando a criança percebe que existe espaço para dividir a vida com seus cuidadores, o vínculo ganha novas oportunidades de se fortalecer”, ressalta Colombini.

Mais sobre Filipe Colombini: psicólogo, fundador e CEO da Equipe AT, empresa com foco em Acompanhamento Terapêutico (AT) e atendimento fora do consultório, que atua em São Paulo (SP) desde 2012. Especialista em orientação parental e atendimento de crianças, jovens e adultos. Especialista em Clínica Analítico-Comportamental. Mestre em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Professor do Curso de Acompanhamento Terapêutico do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas – Instituto de Psiquiatria Hospital das Clínicas (GREA-IPq-HCFMUSP). Professor e Coordenador acadêmico do Aprimoramento em AT da Equipe AT. Formação em Psicoterapia Baseada em Evidências, Acompanhamento Terapêutico, Terapia Infantil, Desenvolvimento Atípico e Abuso de Substâncias. 

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