Pesquisa aponta que 95% dos pacientes de depressão em tratamento sentem sintomas persistentes

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Os dados da pesquisa trazem uma reflexão sobre a depressão resistente a tratamento

Uma pesquisa global encomendada pela Johnson & Johnson e conduzida pela Wakefield Research entrevistou 850 adultos com transtorno de depressão maior (TDM) em tratamento com antidepressivo oral e 800 profissionais de saúde que atendem pacientes com depressão em sete países. No Brasil, o recorte com 100 pacientes e 100 profissionais de saúde chamam atenção por ter alguns dos índices mais altos da pesquisa.

Seguem alguns resultados:

  • 95% dizem que esses sintomas ainda têm impacto negativo moderado ou significativo na vida diária. É o maior índice entre os sete países pesquisados;
  • 94% relatam que os sintomas residuais impactam, ao menos ocasionalmente, como se sentem ou agem no trabalho, também o maior índice entre os países pesquisados;
  • Apenas 15% estão totalmente satisfeitos com seu antidepressivo atual;
  • 80% ainda relatam ansiedade (maior índice de todos os países pesquisados), 54% humor deprimido e 52% fadiga/baixa energia;
  • 23% relatam ter vivenciado pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio nos últimos 3 a 6 meses.

Os dados nos levam a algumas reflexões: por que normalizarmos os sintomas persistentes da depressão? Por que falamos ou ouvimos um “tá tudo bem” quando não está? Quando a persistência dos sintomas é um sinal de que o tratamento precisa ser reavaliado? E quando é hora de investigar uma possível Depressão Resistente ao Tratamento (DRT)? 

A pesquisa não avaliou especificamente pacientes com DRT, portanto não é possível dizer quantos participantes tinham essa condição. Mas os resultados abrem espaço para discutir quando uma resposta parcial deve levar à reavaliação da estratégia terapêutica e em que circunstâncias a persistência dos sintomas pode indicar a necessidade de investigar DRT, geralmente caracterizada pela persistência dos sintomas após duas ou mais tentativas adequadas de tratamento, considerando medicamento, dose e duração.

Outro dado interessante é que 93% dos brasileiros dizem já ter falado com o profissional de saúde sobre os sintomas que permanecem, mas 72% não estão totalmente satisfeitos com a resposta recebida. Do outro lado, 92% dos profissionais dizem que pacientes têm, ao menos às vezes, dificuldade para explicar o que não está funcionando no tratamento.

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