Professores e professoras do ensino superior privado no estado de São Paulo, reunidos em assembleia estadual convocada pela Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) e seus sindicatos filiados, rejeitaram proposta apresentada pelo Sindicato das Mantenedoras do Ensino Superior (Semesp) , e aprovaram o estado de greve na campanha salarial deste ano. A decisão foi tomada na assembleia realizada no último dia 23.
O movimento ocorre em um contexto de forte resultado financeiro no setor. Durante a assembleia, foram apresentados dados públicos de grupos educacionais que registraram lucros líquidos de R$284 milhões e até R$650 milhões em 2025, evidenciando a capacidade econômica das mantenedoras. Apesar disso, a proposta do Semesp foi considerada aviltante e desrespeitosa com o trabalho docente.
A negociação, iniciada em fevereiro, já soma seis rodadas sem avanço nas reivindicações da categoria, que incluem reposição da inflação, aumento real e manutenção dos direitos previstos na convenção coletiva.
Do ponto de vista econômico, o sindicato patronal propõe reajuste total de 3,45%, e ainda assim de forma parcelada, com 2,45% a partir de junho e mais 1% em outubro, sem aplicação integral na data-base de março. Na prática, isso significa meses sem correção salarial e sem reflexos em direitos como FGTS e férias. Parte da recomposição é substituída por abono, sem incorporação aos salários. Para a categoria, no entanto, o principal problema está na tentativa de alteração da convenção coletiva.
A proposta do Semesp promove mudanças em cláusulas históricas, entre elas restrição das bolsas de estudo, substituição do plano de saúde por auxílio de R$200, alterações nas regras de estabilidade, flexibilização da homologação de rescisões e mecanismos que facilitam demissões e reduções de carga horária.
Na avaliação da Fepesp, o conjunto das medidas representa uma ruptura no padrão de negociação do setor. “A convenção coletiva do ensino superior foi construída ao longo de décadas. O que está sendo apresentado agora não é uma proposta de negociação, mas uma tentativa de desmontar essa estrutura de direitos”, afirma o presidente da Fepesp, Ailton Fernandes.
Durante a assembleia, também foi destacado que o crescimento financeiro das instituições ocorre em paralelo ao aumento da sobrecarga de trabalho docente, com turmas maiores, acúmulo de funções e intensificação das atividades fora de sala de aula.
Para a categoria, esse processo impacta diretamente a qualidade do ensino oferecido aos estudantes.
Como encaminhamento, a assembleia aprovou o estado de greve e convocou nova assembleia estadual para o dia 14 de maio, quando poderá ser deliberada a deflagração de greve, caso não haja avanço nas negociações.
Até lá, a orientação da Fepesp e dos sindicatos filiados é intensificar a mobilização e ampliar o diálogo com estudantes e com a sociedade sobre os efeitos das propostas em discussão.








