Com mudanças no sistema de tributação do consumo, decisões sobre mão de obra, terceirização, benefícios e fornecedores passam a exigir integração entre RH, financeiro, fiscal, contábil e jurídico
A reforma tributária vai ampliar a participação do RH em decisões que tradicionalmente ficavam concentradas nas áreas fiscal, contábil e financeira. Contratação de profissionais, terceirização, trabalho temporário, benefícios e escolha de fornecedores passam a ter também uma dimensão tributária e financeira.
A análise é de Silmara Silva, analista tributária, que participou do debate sobre o tema no RH em Foco, promovido pela Employer Recursos Humanos. Para ela, a principal mudança para as empresas está na necessidade de integrar áreas que, muitas vezes, trabalham de forma independente.
Com a transição para o novo sistema, o RH terá de participar das discussões sobre o modelo de contratação mais adequado às necessidades do negócio. A decisão entre contratação direta, trabalho temporário ou terceirização deverá considerar, além dos salários e encargos, custos, formação de preços e impactos tributários.
“A empresa terá que analisar qual forma que ela vai contratar para ver as vantagens melhores para a empresa”, afirma Silmara.
A escolha também poderá envolver a contratação de serviços especializados. Nesse caso, a empresa deverá avaliar o custo, os efeitos sobre o fluxo de caixa e as possibilidades de aproveitamento de créditos previstas no novo modelo.
Benefícios também entram na análise
Os benefícios oferecidos aos trabalhadores passam a fazer parte dessa avaliação. A questão, segundo Silmara, não é reduzir benefícios, mas compreender como cada alternativa impacta os custos e o tratamento tributário da empresa.
Para isso, o RH precisará trabalhar em conjunto com a área tributária antes de definir políticas de benefícios e modelos de contratação.
Atenção aos fornecedores
A mudança também aumenta a importância da análise de fornecedores e prestadores de serviços. A regularidade fiscal e a qualidade dos documentos emitidos poderão interferir no aproveitamento de créditos pela empresa contratante.
Por isso, não basta conferir os próprios documentos fiscais. Empresas também terão de acompanhar as informações fornecidas por parceiros e prestadores, reduzindo o risco de créditos bloqueados e impactos no caixa.
Mais integração entre áreas
Na prática, a reforma amplia a necessidade de decisões compartilhadas. RH, financeiro, fiscal, contábil e jurídico terão de avaliar conjuntamente questões relacionadas à contratação, benefícios, fornecedores, contratos e custos.
A transição começa em 2026 e avança nos próximos anos, com a entrada da CBS em 2027 e a substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS a partir de 2029. Para as empresas, o período exige preparação de sistemas, documentos, contratos e processos, além de uma revisão das decisões que envolvem custos e estrutura operacional.
A reforma tributária, portanto, amplia o papel do RH nas decisões que envolvem pessoas e estrutura de custos. A definição do modelo de contratação, dos benefícios e da utilização de serviços terceirizados passa a exigir uma análise conjunta com as áreas fiscal, contábil, financeira e jurídica. Para as empresas, o desafio é antecipar essas discussões e entender como as novas regras podem afetar custos, fluxo de caixa e competitividade.








