Negociações estruturadas e notificações formais evitam judicialização, encurtam prazos e aliviam o impacto no caixa das empresas
O Brasil encerrou 2025 com mais de 73 milhões de consumidores inadimplentes, segundo a Serasa Experian, ao mesmo tempo em que processos de execução podem ultrapassar quatro anos de tramitação na Justiça, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito, empresas têm recorrido à recuperação extrajudicial para acelerar acordos e reduzir custos na gestão de dívidas.
Patricia Maia, sócia do Barbosa Maia Advogados e especialista em recuperação de ativos no mercado de recebíveis , afirma que o modelo tem se consolidado como alternativa mais eficiente em comparação à via judicial. Com mais de 19 anos de atuação, ela observa que empresas passaram a buscar soluções mais ágeis e menos onerosas. “A recuperação extrajudicial permite negociar com credores de forma estruturada, sem a demora e os custos de um processo. Isso acelera a resolução e preserva o caixa das empresas”, diz.
Na prática, o modelo combina notificações formais, negociação técnica e análise patrimonial para viabilizar acordos em menos tempo. A estratégia busca reduzir a dependência do Judiciário e aumentar a previsibilidade dos resultados. “Quando existe método, dados e abordagem adequada, o índice de recuperação cresce e o desgaste com o devedor diminui”, afirma.
Outro fator que impulsiona a adoção é a necessidade de manter relações comerciais. Em setores como factoring, securitização e fundos de investimento em direitos creditórios, a inadimplência exige respostas rápidas, mas também sustentáveis. “Nem toda dívida precisa virar processo. Em muitos casos, a negociação estruturada resolve mais rápido e mantém o relacionamento ativo”, explica.
A especialista destaca que empresas que adotam uma abordagem preventiva tendem a apresentar melhores resultados. Monitoramento constante, segmentação de risco e comunicação antecipada fazem parte dessa estratégia. “A recuperação começa antes do atraso. Quem se antecipa consegue reduzir perdas e aumentar a eficiência da cobrança”, diz.
Apesar das vantagens, a implementação exige critério técnico e planejamento. A escolha de parceiros especializados e a análise detalhada da carteira são etapas consideradas decisivas. “Não se trata apenas de cobrar, mas de entender a capacidade de pagamento, mapear ativos e estruturar propostas viáveis. Sem isso, o acordo não se sustenta”, alerta.
A tendência, segundo a especialista, é de ampliação desse modelo diante do ambiente econômico mais restritivo. “Empresas que estruturam a recuperação extrajudicial conseguem acelerar o caixa, reduzir perdas e tomar decisões mais estratégicas. É uma mudança na forma de lidar com o crédito”, conclui.
Ao priorizar acordos mais rápidos e menos custosos, a recuperação extrajudicial passa a ocupar espaço relevante na gestão financeira das empresas, especialmente em um período de crédito mais caro e maior pressão sobre o fluxo de caixa.








